Como gastar dinheiro com TI impunemente

Se você é responsável por alguma área de TI, coordenador, gerente, diretor e tem uma pequena verba sobrando,  que tal torrar? Afinal,  se você não gasta toda a sua verba, no ano que vem vão diminuí-la, certo? O problema é que não pode dar na cara, se você simplesmente torrar essa grana em um happy hour com a equipe, comprar cadeiras melhores ou um segundo monitor para cada desenvolvedor, isso pode levantar suspeitas e te acusarem de não saber controlar sua verba. Então seguem abaixo algumas sugestões. Espero que lhe ajude na ascenção de sua carreira! Se você for promovido, deixe seu depoimentos nos comentários. Segue abaixo o manual: Como torrar sua verba de TI de maneira “responsável”:

Atualize os seus softwares

Caro e não palpável:  a compra de software é uma maneira de você gastar e ninguém ver onde. Você pode comprar várias e várias licenças, hoje em dia não vem nem mais a caixinha que ocupava espaço, e gastar muito dinheiro com isso. Para gastar bem gaste com a moda, compre ALM! Várias licenças de Team Foundation vão custar uma bela grana e simplesmente não use-as. Pelo menos não totalmente, para não dar na cara, use somente o controle de versão, todas as outras funcionalidades podem ser esquecidas, não precisa usar o build automático, tracking, etc…
Ganhe um Bônus adquirindo o VS.Net Ultimate e não treine os desenvolvedores para usar as facilidades que ele oferece, aliás… o TFS não vai estar funcionando mesmo.

Contrate um gerente de projetos

Aqui é “double damage”! Além de gastar dinheiro com um profissional para tomar conta de outros, os desenvolvedores, no caso, pois eles não tem a menor idéia do que fazer, precisam de uma babá e às vezes trabalhar na base do chicote; esse integrante do time vai reagir de forma contrária ao time, vai introduzir ruído, marcar extensas reuniões, vai sentar ao lado de um dev para ver o que está acontecendo e ajudar no código; ou seja, vai atrasar seu projeto ou piorar as manutenções de software. Traduzindo:  mais tempo, que é mais dinheiro, mais gastos. Se você além de double quer um bônus com essa aquisição, peça um que seja PMP, certificado claro, pois a hora é mais cara e ele vai trazer um livros de regras junto para aplicar no seu processo.

Processo

Se você não tiver um processo você já tem muito gasto, atrasos, comunicação falha, e por aí vai. Mas, instalando um processo você pode gastar ainda mais!! Vá para o mercado, procure profissionais gabaritados em processos, e peça uma avaliação, afinal você quer ter mais visibilidade do projeto, ter certeza que estão fazendo a coisa certa e quer controlar se a galera esta indo pro banheiro dormir no vaso depois de uma noite de balada na terça-feira, e para isso terá que gastar mais. Planilhas de horas, ou um software, documentação abrangente, validações, reuniões de planejamento, análise do problema; tudo isso deve estar contemplado no processo. Ganhe bônus instalando uma ferramenta de controle do processo.
Já tem um processo na empresa? Então mude! Escolha um da moda e obrigue sua adoção, lembre-se de contratar um consultor para isso! A mudança do projeto deve ocorrer durante o projeto em andamento e não se preocupe, coloque tudo o que puder, as pessoas devem se adaptar,  e não o contrário.

Contrate pessoas

Se você acha que ainda esta gastando pouco,  nada é mais caro do que a contratação de pessoas. Principalmente pessoas que não estão comprometidas com a empresa, portanto abuse dos terceiros, eles podem te dar um bônus em gastos se você contratá-los com “horas abertas”. A contratação de mais pessoas vai prejudicar sua comunicação no projeto e provavelmente vai dobrar seu tempo de desenvolvimento, isso mesmo, vai dobrar! Se isso não é custo suficiente,  peça certificados; os profissionais com certificação vão lhe garantir um gasto extra, já que como pessoas com mais conhecimento vão te cobrar mais.

Se você não tem uma verba sobrando… Mantenha seu ambiente com um clima péssimo, infra-estrutura ruim, máquinas velhas, isso fará com que as pessoas não queiram trabalhar, logo elas vão produzir pouco ou nada e o projeto vai atrasar. Algumas vão se demitir então poderá contratar novos, mais alinhadas com as diretrizes da empresa. Depois poderá pedir mais verba para consertar o andamento do projeto… Volte ao início e aplique as propostas apresentadas.

Se você é desenvolvedor e leu esse texto… bazinga!

Manifesto Ágil completa 10 anos

Hoje o Manifesto Ágil completa 10 anos. Nesse tempo muita coisa mudou, evoluiu, ou não!

10 anos na indútria da TI é muito tempo. Muita tecnologia nasceu e outras tantas morreram, muitos aplicativos foram desenvolvidos, alguns de sucesso incrível outros nem tanto, e outros que pareciam não deixar de existir,  nunca foram engolidos por inovações. Mas, desenvolver software ainda é uma incógnita para muitos do mercado.
Pode ser muito tempo para a TI, mas, historicamente falando, 10 anos é pouco tempo para analisarmos grandes mudanças.

Fazer software ainda é para muitas empresas sofrível! E é curiosa essa afirmação, pois em um segmento em que mudanças acontecem da noite para o dia, novas tecnologias são desenvolvidas frequentemente, elas não são absorvidas pela própria indústria que as cria. É como se as empresas de telefonia não fizessem uso do telefones para se comunicar.

O manifesto ágil focou em pessoas, interação, mudanças e colaboração. Mas poucas foram as empresas que conseguiram absorver esses conceitos. Por que? Muito antes do manifesto, Ricardo Semler mudou a cultura da sua empresa, a Semco. Quando a TI nem falava de trabalho remoto (famoso Home Office), colaboração entre indivíduos, ambiente de trabalho… A Semco já mudava essas formas antiquadas de pensar. Não foi fácil, mas se operários de fábrica conseguiram ter flexibilidade no horário de trabalho, por que profissionais que não estão presos a uma linha de produção ainda não conseguiram?

Os ambientes colaborativos na internet 2.0 aparecem aos montes, são ferramentas de redes sociais, aplicativos profissionais, até mesmo CRM já tem internamente sua rede social (veja o Salesforce Chatter), mas todas essas facilidades a um click de distância de qualquer indivíduo com acesso a grande rede são barrados por firewalls de empresas preocupadas com produtividade. Essas mesmas empresas são aquelas que minam a produtividade de seus funcionários proporcionando um ambiente tão ruim de trabalho que é desanimador querer resolver algum problema. Veja o vídeo do Jason Fried da 37Signals no TED (Why work doesn’t happen at work).

O ágil esta na moda hoje! É legal a empresa ser ágil, só pela palavra já é legal, ter um framework do tipo Scrum, esse então todo mundo parece usar, mas realmente fazer uso, difícil… O Giovanni Bassi da Lambda3 recentemente escreveu um post com o título Que fique claro: não se “instala” agile, diferentemente do que pensam muitos “gerentes” por aí, que acham que é só chamar um “consultor”, fazer 3 dias de cursinho, e bora usar o Scrum.

Infelizmente a mudança cultural defendida pelo movimento ágil vai demorar a acontecer em muitos lugares, pois a cultura da falta de colaboração entre indivíduos, falta de valoriazação do trabalho, más práticas, é a realidade de muitas empresas, e pior, educaram vários indivíduos assim… Deseducar será um longo processo para elas. Quem hoje consegue se livrar de toda essa carga cultural negativa vai surfar a onda.